O que é taquifemia
A taquifemia é um problema de fluência, que prejudica o ritmo da fala. Quem apresenta taquifemia geralmente descreve seu problema da seguinte forma: “Eu falo rápido e ninguém consegue entender”, “Eu falo muito rápido e vou comendo as palavras”, “As pessoas pedem para eu repetir o que falei” ou “As pessoas me pedem para falar mais devagar”.
Sintomas
Os sintomas da taquifemia incluem:
- Falar muito rápido, a ponto de o ouvinte não conseguir entender;
- Fazer poucas pausas ao falar, podendo ficar sem ar;
- Apresentar “dicção ruim” ou “fala embolada”, ou seja, as consoantes e vogais são pronunciadas incorretamente;
- Apresentar muitas hesitações ou disfluências comuns na fala (por exemplo: muitos preenchedores como “éh” e “ãh”, muitas repetições de palavras, muitas correções).
- Apresentar fala confusa (“sem começo, meio e fim”), com informações muito detalhadas ou, ao contrário, com poucas informações;
- Pouca percepção das dificuldades de fala, achando que o maior problema é com o ouvinte (que não entende);
- Melhora importante quando a pessoa é instruída a falar mais lento e a se concentrar mais na fala.
Causas
A maioria das pessoas com taquifemia refere outros familiares que também falam rápido. Desta forma, há indícios de que a taquifemia seja transmitida geneticamente. As mutações genéticas relacionadas à taquifemia ocasionariam mau funcionamento de áreas do cérebro relacionadas à fala e, principalmente, ao ritmo da fala.
Distúrbios associados

Gagueira: é o distúrbio mais comum de fluência. Ocorrem sintomas como repetições de sílabas, prolongamentos ou bloqueios de sons. A taquifemia geralmente ocorre em conjunto com a gagueira. 35% das pessoas com gagueira também apresentam taquifemia.
Transtorno de aprendizagem: é um termo que se refere a dificuldades na aprendizagem da leitura, escrita e/ou matemática. O desempenho nessas áreas não é compatível com a idade, com a inteligência e com a escolaridade.
Transtorno de déficit de atenção, hiperatividade e/ou impulsividade (TDAHI): refere-se a dificuldades com atenção (esquecer coisas, fazer erros por descuido, ter dificuldade para se concentrar, distrair-se facilmente, etc.), com o grau de atividade corporal (ser muito inquieto, movimentar-se excessivamente, falar muito, etc.) e/ou com o controle de impulsos (interromper os outros com frequência, intrometer-se em conversações, fazer coisas sem pensar, etc.).
Avaliação fonoaudiológica
Na avaliação, são coletadas amostras de fala em situação de repetição de palavras, repetição de frases, fala espontânea e leitura em voz alta. As amostras são analisadas em relação à velocidade de fala, pausas, hesitações ou disfluências, coordenação entre respiração e fala, articulação dos sons de fala. A fala espontânea também é analisada em relação à estruturação textual (habilidade para descrever, narrar e argumentar). Quando necessário, também incluímos avaliação específica de audição, compreensão de fala e vocabulário.
Tratamento fonoaudiológico
O tratamento para taquifemia geralmente apresenta as seguintes metas:
1) Melhora da percepção da própria fala: são utilizadas diversas estratégias – ouvir gravações da própria fala, variar voluntariamente a velocidade de fala, observar-se em situações específicas do dia-a-dia.
2) Redução da velocidade de fala e aumento de pausas: o paciente treina falar mais devagar e fazendo mais pausas.
3) Melhora da pronúncia dos sons de fala: o paciente treina a produção de consoantes e vogais que apresenta maior chance de “falar errado”.
4) Melhora do vocabulário: o paciente treina o uso de palavras mais precisas durante a produção da fala.
5) Encontrar palavras durante a fala: a diminuição da velocidade de fala e o aumento de pausas geralmente ajudam no processo de lembrar as palavras durante a fala.
6) Melhora das habilidades textuais: são utilizadas histórias em quadrinho sem texto (cartoons) para aprimorar as habilidades de descrição, narrativa e argumentação.
7) Hesitações ou disfluências comuns e reformulações: a redução da velocidade de fala, o aumento no número de pausas e a melhora do vocabulário, de lembrar as palavras e das habilidades textuais diminuem o número de hesitações e de reformulações na fala.